17 de novembro de 2009

Entenda quando trancar a matrícula vale a pena

Por Bruno Loturco, Portal Universia
Depois de toda a carga emocional do vestibular e a satisfação por ter vencido essa etapa parece improvável ou mesmo curioso notar que muitos estudantes cogitem trancar a matrícula, seja porque o curso não os agradou, seja por algum imprevisto no meio do caminho. Nem sempre o curso de graduação se desenrola sem imprevistos. Às vezes, o aluno precisa de mais tempo para se formar. E os motivos que levam um estudante a interromper a graduação não são, necessariamente, prejudiciais ao seu projeto de carreira. Quem está acostumado a ver esse tipo de situação sugere: trancar a matrícula, somente se isso for em benefício da carreira do aluno.

A recomendação é adotada e recomendada por Marcelo Paveck Ayube, coordenador do curso de ciências contábeis da Feevale. "A opção é válida quando é temporária, quando o aluno vai fazer um curso no exterior que o deixará mais competitivo, por exemplo", exemplifica ele. Ayube acredita que o trancamento se justifica quando é planejado para que a pessoa continue a investir na carreira. "Quando tranca por trancar, atrasa o futuro", dispara o coordenador da Feevale. Opinião semelhante é a da professora Martha Solange Scherer Saad, coordenadora do curso de Direito do Mackenzie. Para ela, desde que sejam complementares à graduação, o ideal é aproveitar as oportunidades de estudo no exterior. "Alguns alunos trancam pra trabalhar na Disney. Isso é jogar fora a oportunidade de arrumar emprego aqui", critica ela.

Outro caso de trancamento condenado por Ayube é o que tem motivação financeira. Para ele, a prioridade deveria ser a conclusão da graduação, pois sempre há alternativas para evitar a interrupção do curso. "As pessoas financiam casa, carro, viagem, mas não financiam a qualificação. Se for esse o motivo, o aluno deve procurar crédito, algum sistema de financiamento", afirma ele. Ayube acrescenta que, ao trancar por motivos financeiros, o estudante posterga o retorno sobre o investimento já feito. "Vejo alunos que trancam no penúltimo mês de um semestre. Daí, por causa de um mês, têm custo dobrado quando decidem voltar", explica ele.

Trancamento temporário

Quando o aluno tem intenção de voltar a estudar para concluir o curso, é importante que tome alguns cuidados no momento de trancar a matrícula. Segundo Martha, é importante atentar para eventuais mudanças na grade curricular. "Quando o curso esta em processo de mudança, o aluno corre o risco de, ao retornar, algumas disciplinas terem sido extintas", alerta ela. Martha explica que, nesses casos, o aluno pode ser obrigado a fazer uma adaptação curricular. "Isso só compensa quando ele ainda está muito no início do curso", diz.

Segundo a coordenadora do curso de Direito do Mackenzie, a análise da grade curricular do curso deve considerar as disciplinas que configuram pré-requisito para outras. "Se não tomar cuidado, fica preso e adia ainda mais a conclusão", adverte ela. Além disso, Martha explica que é importante considerar o limite de créditos que podem ser cursados por semestre, o que determina como o aluno vai fazer as disciplinas que ficaram acumuladas durante o trancamento.

O momento do ano também influencia a decisão de trancar e o respectivo impacto financeiro, conforme conta Ayube. "Considero uma atitude impensada trancar no fim do semestre, sem terminá-lo. É rasgar o dinheiro de cinco meses", declara Ayube. Ele acrescenta que a ressalva para essa afirmação está nos casos em que há possibilidade de ascensão profissional, quando, por exemplo, o aluno tem a chance de ser transferido para o exterior e não há como negociar o momento de tomar a decisão.

Ao se candidatar para participar de um convênio da universidade para estudar no exterior, Bruna Aydar, estudante do 8º semestre de arquitetura do Mackenzie, conseguiu conciliar o término do semestre com a viagem. "As aulas em Madri vão começar só em setembro, por isso vou trancar no final desse semestre", explica a estudante. Com o trancamento, Bruna levará um ano a mais para terminar o curso. No entanto, afirma que vai aproveitar a estadia na Espanha para realizar pesquisas para o trabalho final da graduação.

Ayube recomenda sempre procurar o coordenador do curso antes de trancar. "Ele vai te aconselhar quais cadeiras terminar para não atrapalhar o curso todo", explica ele. Se tivesse seguido essa recomendação, Edson Michael Dias Araújo pondera que talvez tivesse terminado o curso de Tecnologia de Desenvolvimento de Softwares da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista). "Conversar com pessoas ajuda bastante, mas o problema é que procuramos quem nos diz o que queremos ouvir. Aí fica mais fácil desistir", diz o estudante. Segundo conta, ele decidiu trancar devido à falta de perspectivas profissionais na carreira do curso escolhido.
 
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